terça-feira, 21 de abril de 2009

LEVÍSREVERRI

Por fim, fugindo do romantismo meloso e previsível, a obra de Noe prova que a vida é repleta de sentimentos contrários – amor e ódio, complacência e vingança; vida e morte – onde um gera o outro, numa influência mútua. Fica claro, então, que o senhor de todos esses sentimentos é o tempo, que destrói tudo, segundo o diretor. E isso é irreversível. 

“Irreversível” não trata do amor platônico, perfeito e desinteressado. Mas sim de um amor bem à moda humana: com todas as suas taras e imperfeições. No filme encontramos, em poucos cortes e em cenas extremamente fortes, uma linguagem que por si só é afiada, onde não existem meias palavras. São em diálogos sinceros e diretos, cheios de contradições, que é apresentado um lado obscuro – ainda que realista – do amor, bem como todas as suas surpresas, oscilando entre momentos de pura ingenuidade àqueles marcados pelo egoísmo e pela insegurança.

Com uma direção primorosa, Noe desvenda e desconstrói, numa perfeita metalinguagem, a prova de que toda ação gera uma reação.  Em “Irreversível” temos o poder do tempo sobre as relações amorosas, sendo ele capaz de levar aos gélidos longos anos de convivência ou – por uma simples obra do destino – à tragédia fatal que põe fim a tudo. 

Pra começar, “Irreversível” garante seu mérito por ser um filme corajoso, em que o amor é apresentado de forma nua e crua.

Irreversível

Gaspar Noe

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Confesso

Confesso que já tinha me esquecido de como é bom o rock descompromissado, sem grandes pretensões além da diversão. A banda Kings Of Leon foi a grande culpada por essa tão bem-vinda lembrança. Com o primeiro CD dos caras, “Youth & Young Manhood” , tive um ataque fulminante de saudosismo de uma época em que a malandragem era quase que uma obrigação para não ser “politicamente correto”. O bom e velhinho mocinho. Em outras palavras, houve bandas que faziam música que em primeiro plano estava a celebração da vida, e não o dinheiro. Concordo com quem diz que pagamos caro por essa atitude. Hendrix que o diga. Mas quer saber? Acho que valeu a pena. Apesar das baixas, entre mortos e feridos, tivemos a época mais criativa do Rock N’ Roll. Por isso que, entre tantas bandas contemporâneas sem sal, a Kings Of Leon se destaca pela sua negação à música overproduced, talhada perfeitamente pelo Pro Tools. Com ela, fica claro que o Rock é antes de qualquer coisa um hino à simplicidade e à liberdade. Quer coisa melhor do que isso? Eu me dou por satisfeito. E sinto falta: confesso.

Youth & Young Manhood

Kings Of Leon